Você toma creatina todo dia, olha no ralo do banho e vê mais fios do que gostaria.
A dúvida bate na hora: foi o suplemento?
A pergunta sobre creatina e queda de cabelo virou clássica nas academias, e a resposta não é tão simples quanto os vídeos de trinta segundos prometem.
De onde veio a ideia de que existe relação entre creatina e queda de cabelo
O boato começou com um estudo de 2009, feito com jogadores universitários de rugby.
Os participantes tomaram uma dose alta de creatina por sete dias, a chamada fase de saturação, e depois uma dose menor por mais duas semanas.
O resultado chamou atenção: o nível de DHT subiu 56% depois da primeira semana e ficou cerca de 40% acima do normal durante a manutenção.
A testosterona não mudou de forma relevante.
O DHT é o hormônio que enfraquece os fios em quem tem predisposição genética à calvície, e foi esse detalhe que transformou um estudo pequeno numa regra geral de academia.
O problema é que ninguém conseguiu repetir esse resultado desde então.
O que os estudos mais recentes mostram sobre creatina e queda de cabelo
Em 2025 saiu um estudo randomizado e controlado, com quase 40 participantes acompanhados por doze semanas, bem mais robusto que o de 2009.
O resultado foi direto: não houve diferença significativa em DHT, na proporção entre DHT e testosterona, nem nos parâmetros de crescimento capilar entre quem tomou creatina e quem tomou placebo.
A Cleveland Clinic resume bem o cenário atual: doze estudos adicionais analisaram o efeito da creatina sobre hormônios e nenhum encontrou aumento relevante.
A recomendação da nutricionista consultada pela clínica é clara, não existe evidência conclusiva de que a creatina cause queda de cabelo.
| Estudo | Ano | Desenho | Resultado sobre DHT |
|---|---|---|---|
| Van der Merwe et al. | 2009 | 21 jogadores de rugby, 3 semanas, sem grupo placebo | Aumento de 56% após fase de saturação |
| Lak et al. | 2025 | Randomizado, controlado por placebo, 12 semanas | Sem diferença entre os grupos |
Por que alguém pode perder cabelo tomando creatina, mesmo sem relação direta
A calvície androgenética não espera a academia avisar.
Ela é genética, avança com o tempo e costuma aparecer justamente na faixa de idade em que muita gente começa a treinar pesado e a suplementar.
Coincidência de calendário não é causa.
Quem já notou queda de cabelo depois de mexer com hormônios ou suplementos tende a procurar um culpado externo, e a creatina acaba levando a culpa por estar mais visível no dia a dia do que a genética.
Quem precisa prestar atenção de verdade
Se você tem histórico de calvície na família e já percebeu entradas avançando ou a coroa afinando, o ponto de atenção não é o pote de creatina no armário.
É a calvície precoce, cada vez mais comum entre homens antes dos 30.
Parar a creatina achando que isso resolve costuma só adiar a conversa que realmente importa, que é sobre genética e tratamento.
O que fazer se você toma creatina e está de olho no cabelo
Mantenha a dose recomendada, entre 3 e 5 gramas por dia, e evite fases de saturação muito agressivas sem orientação, já que foi justamente numa fase assim que o estudo de 2009 registrou o pico de DHT.
Se a queda de cabelo já é visível, vale procurar um dermatologista para investigar a causa real antes de qualquer decisão.
E se a calvície já está estabelecida, o transplante capilar segue sendo a opção com resultado permanente, mas nenhum suplemento e nenhuma dieta substituem essa avaliação individual.



