Comparação social e calvície: o que diz a psicologia

Existe uma teoria clássica da psicologia sobre comparação social. Aplicada à calvície, ela explica por que raramente nos comparamos com quem está pior, só com quem tem mais cabelo que nós.

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Hoje, 27 de agosto, é o Dia Nacional da Psicóloga e do Psicólogo no Brasil, data que marca a regulamentação da profissão em 1962.

É uma boa desculpa para aplicar uma teoria clássica da psicologia a um assunto que ela explica muito bem: por que a calvície incomoda tanto.

Comparação social e calvície: o que a teoria de Festinger explica

Em 1954, o psicólogo Leon Festinger publicou a teoria da comparação social, hoje um dos conceitos mais citados da psicologia.

Segundo ele, as pessoas avaliam suas próprias capacidades comparando-se a outras pessoas. Isso acontece principalmente quando não existe uma régua objetiva para medir o que está em jogo.

Cabelo é um exemplo quase perfeito disso.

Não existe exame que diga “sua calvície é aceitável” ou “a sua não é”.

Por isso, a régua vira o colega de trabalho, o amigo de infância ou o parente mais próximo, e é aí que a comparação social e calvície começam a se misturar.

Por que a comparação quase sempre pesa contra quem está calvo

Festinger também descreveu dois tipos de comparação.

Na comparação para cima, a pessoa se compara com quem parece estar em situação melhor, o que costuma gerar desconforto.

Já na comparação para baixo, a pessoa se compara com quem está pior, o que tende a aliviar a autoavaliação.

O problema é que a calvície empurra a maioria dos homens para a comparação para cima quase o tempo todo.

Afinal, andar na rua, entrar numa reunião ou abrir as redes sociais expõe muito mais gente com cabelo cheio.

Careca, proporcionalmente, aparece bem menos. Raramente a comparação vai para o outro lado.

Onde essa comparação aparece com mais força

Esse mecanismo já apareceu aqui no blog em pelo menos dois contextos.

No ambiente de trabalho, a comparação envolve como a calvície pode pesar nas chances de carreira.

Muitas vezes, porém, sem nenhum dado concreto que sustente isso.

Nos aplicativos de namoro, a mesma lógica aparece nas fotos de perfil e nos matches, onde a comparação é visual e instantânea.

Em ambos os casos, a régua de comparação continua sendo os outros homens visíveis naquele momento, não uma média da população.

Como usar essa teoria a favor, e não contra você

Entender esse mecanismo já muda a forma de lidar com ele.

Reconhecer que a comparação para cima é automática, e não um reflexo da própria situação, tira parte do peso emocional.

Além disso, buscar informação concreta, em vez de comparação visual solta, ajuda a trocar uma régua distorcida por uma decisão mais consciente.

A psicologia não resolve a calvície sozinha, mas explica por que ela pesa tanto no dia a dia.

Entender o mecanismo já é o primeiro passo para parar de se comparar com a pessoa errada.

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