Rabo de cavalo puxado firme toda manhã, coque preso o dia inteiro, trança refeita a cada poucas semanas: para muita gente isso é só o penteado de sempre.
Para o couro cabeludo, é o gatilho mais comum de alopecia de tração, um puxão que se repete sempre no mesmo ponto, ano após ano.
Ela avança devagar.
A linha do cabelo recua um pouco a cada ano, sem queda visível de fios soltos, até deixar uma faixa mais fina onde antes havia densidade normal.
Quando alguém percebe o recuo, o hábito que causou aquilo já dura tempo suficiente para ter comprometido o folículo de vez.
Alopecia de tração começa reversível e termina em cicatriz
Uma revisão publicada no Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology, assinada pelas dermatologistas Victoria Billero e Mariya Miteva, explica por que o diagnóstico chega tarde.
Nas fases iniciais, o folículo continua vivo sob a pele, e a alopecia de tração desaparece assim que o penteado muda.
Poucas pessoas trocam de penteado nesse estágio, porque a falha ainda não incomoda o bastante para isso.
Segundo as autoras, é a continuidade do hábito sem intervenção que empurra o quadro para uma alopecia cicatricial.
A partir daí, mudar de penteado deixa de resolver, porque não sobra folículo para recuperar.
O puxão da alopecia de tração não escolhe penteado nem gênero
A associação mais comum é com tranças, coques apertados e extensões capilares.
A mesma revisão cita um levantamento que encontrou alopecia de tração em cerca de um terço das mulheres negras que mantêm esse tipo de penteado por período prolongado.
É um dado que pesa bastante num país com a maior população afrodescendente fora da África.
O puxão constante, porém, não escolhe origem nem gênero.
Um caso publicado no Pediatric Dermatology descreve dois irmãos sikhs que usaram turbante desde a infância.
Depois de anos, os dois desenvolveram uma faixa de alopecia cicatricial bem na linha frontal.
Policiais e militares com penteado regulamentar preso, bailarinas com coque de apresentação, motociclistas com capacete ajustado sempre sobre o mesmo ponto: qualquer rotina que mantenha o fio sob tração constante entra na mesma lista de risco.
Só um acompanhamento constante diz se a alopecia de tração ainda tem volta
A diferença entre um quadro que ainda tem volta e outro que já virou cicatriz não aparece no espelho, aparece no exame.
A dermatoscopia identifica sinais de tração ainda ativa, como os chamados hair casts ao redor da haste, mas essa leitura exige comparar consultas ao longo do tempo, não uma avaliação isolada.
É por isso que o acompanhamento contínuo, com a mesma equipe médica do início ao fim, pesa tanto nesse diagnóstico.
Só quem viu o couro cabeludo evoluir consulta após consulta consegue dizer se ainda existe folículo para recuperar, ou se a fibrose já tomou o lugar dele.
Transplante capilar na faixa de alopecia de tração pede técnica, não pressa
Quando a fibrose já ocupa o espaço do folículo, o transplante capilar vira o único caminho para devolver densidade àquela faixa.
A técnica muda em relação a uma calvície comum.
A alopecia de tração costuma marcar exatamente a linha frontal ou a região das têmporas, onde só enxertos de um fio garantem uma transição natural.
É o mesmo raciocínio por trás de como desenhar uma linha do cabelo natural.
A densidade certa entra com o Sistema Alta Densidade®, que soma até 100 folículos por centímetro quadrado num procedimento só.
Isso cobre a extensão da faixa comprometida sem multiplicar sessões.
Quem já percebeu a linha do cabelo mais fina ou mais recuada depois de anos com o mesmo penteado apertado não precisa esperar a fibrose avançar mais para agir.
Uma avaliação no Grupo Capilar mostra em qual desses dois pontos o couro cabeludo está: ainda dá tempo de mudar o hábito, ou já é hora de tratar com transplante.



