Hoje, 31 de agosto, é o Dia do Nutricionista no Brasil.
Por isso, vale revisitar uma dúvida que cresce junto com a popularidade do jejum intermitente: existe relação entre jejum intermitente e queda de cabelo?
Segundo a dermatologia, a resposta passa direto pelo consultório desse profissional.
Afinal, o problema não é o jejum em si.
Na verdade, é a queda brusca de proteína e ferro que costuma acompanhar dietas restritivas mal planejadas.
Jejum intermitente e queda de cabelo: existe relação?
Sim, mas de forma indireta.
O jejum intermitente não ataca o folículo diretamente.
Em vez disso, ele muda a distribuição de nutrientes ao longo do dia. Assim, isso pode reduzir proteína e ferro, se a dieta não for bem planejada.
Uma revisão de 2017, publicada na Dermatology Practical & Conceptual, reforça esse ponto.
Segundo os autores, o médico deve avaliar todo paciente com queda de cabelo pelo histórico alimentar antes de qualquer exame de sangue.
Na prática, porém, o nutricionista costuma levantar esse histórico, não o dermatologista.
Por que a proteína importa tanto para o cabelo?
A queratina, uma proteína, forma quase todo o fio de cabelo.
Por isso, sem proteína suficiente na dieta, o corpo prioriza órgãos vitais.
Assim, o cabelo fica em segundo plano nessa hierarquia.
Além disso, essa priorização acontece de forma silenciosa, sem sintoma visível nas primeiras semanas.
Deficiência de ferro: o fator mais estudado
Entre as deficiências nutricionais ligadas à queda de cabelo, o ferro é a mais documentada.
Já em 2006, uma revisão clássica publicada no Journal of the American Academy of Dermatology mostrava essa ligação em detalhe.
Segundo o estudo, ferritina baixa, a proteína que armazena ferro no corpo, aparece com frequência em pacientes com queda difusa.
Além disso, dietas restritivas costumam cortar fontes importantes de ferro, como carne vermelha e feijão, sem repor esse nutriente de outra forma.
Por isso, quem faz jejum prolongado ou corta grupos alimentares inteiros corre mais risco.
O que estudos sobre restrição alimentar extrema já mostraram
Em 2026, uma pesquisa publicada na revista Obesity Surgery acompanhou 261 pacientes depois de cirurgia bariátrica, uma forma bem mais extrema de restrição alimentar do que o jejum intermitente.
Segundo os autores, a queda de cabelo aumentou de forma significativa até o terceiro mês após a cirurgia.
Ao mesmo tempo, os níveis de ferro caíram.
Assim, o ferro baixo pesou mais na queda do que o zinco e a vitamina B12.
Ainda assim, o mecanismo por trás da queda é parecido com o do jejum mal planejado.
Isso porque o corpo reage à falta de nutrientes empurrando fios da fase de crescimento para a fase de queda.
Os médicos chamam isso de eflúvio telógeno.
Geralmente, esse tipo de queda aparece de 2 a 4 meses depois da mudança na dieta, não de imediato.
Além disso, ele é diferente da calvície hereditária; para entender essa diferença, vale conferir os tipos de queda de cabelo.
Por que o nutricionista entra nessa conversa
É por isso que o Dia do Nutricionista tem tudo a ver com esse assunto.
Afinal, esse profissional é quem planeja o jejum intermitente sem cortar proteína e ferro da rotina.
Além disso, ele também é quem detecta, antes do dermatologista, se uma dieta restritiva já colocou o paciente em risco.
Na prática, o dermatologista trata a queda quando ela aparece, enquanto o nutricionista ajuda a evitar que ela apareça.
Por isso, antes de qualquer dieta restritiva, vale consultar esse profissional.
Um exame de sangue simples, com ferritina e proteínas totais, ajuda a identificar o risco cedo.
Assim, quando a causa é nutricional, a queda costuma reverter com o ajuste da dieta, sem precisar de tratamento medicamentoso para calvície.
No fim, a relação entre jejum intermitente e queda de cabelo passa por proteína e ferro, não pelo jejum isolado.
Dessa forma, no Dia do Nutricionista, vale o lembrete: dieta e queda de cabelo caminham juntas, e um acompanhamento nutricional bem feito evita que uma vire causa da outra.



